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O Relato

Atualizado: 26 de set. de 2025

⚖️ Da Lei à Vida: Quando o Relato se Torna Voz

A violência contra a mulher é uma ferida aberta em nossa sociedade. Eu sei disso não apenas pelos dados ou leis, mas porque carrego na pele e na memória as marcas dessa experiência. Por trás das estatísticas existem rostos, histórias e cicatrizes — e eu sou um desses rostos.

Este blog nasce do meu relato, da minha trajetória de dor e superação. Ao transformar minha experiência em palavra, encontrei força para dar voz a tantas outras mulheres que, como eu, já foram silenciadas.

Ao mesmo tempo, compreendi que os direitos fundamentais garantidos pela Constituição de 1988 não são apenas abstrações jurídicas: eles podem — e devem — ser instrumentos de proteção, dignidade e vida.

Aqui, desejo unir o jurídico ao subjetivo, a lei à vida, mostrando que só é possível avançar quando reconhecemos que cada cicatriz carrega uma história que merece ser ouvida.

Este é o espaço que construo para pensar, sentir e agir para além do silêncio da mulher.

🔴 Aviso de Conteúdo Sensível

Este conteúdo aborda temas como violência sexual, agressões e traumas. Pode conter gatilhos emocionais. A leitura é recomendada com cautela, especialmente para pessoas em processo de recuperação.

Se você estiver passando por algo semelhante, lembre-se: você não está sozinha. Procure apoio psicológico, jurídico ou institucional. O silêncio nunca deve ser sua única opção.


💔 Minha História Começa Aqui 


“Agora que nos casamos, quando eu chegar do trabalho, quero a comida posta à mesa.” 

Essa frase marcou minha vida aos 18 anos. Hoje, aos 50, ainda sinto seu peso. Nunca imaginei que um casamento pudesse sufocar meus pensamentos, gestos e movimentos. 

Durante 30 anos, tentei acreditar que ele mudaria. Mas vieram agressões físicas, verbais, morais e sexuais. 


😢 Dentro de Casa 


Fui chamada de prostituta, vagabunda, tratada como lixo doméstico, sofri ameaças, humilhações e xingamentos constantes. Cheguei a ser enforcada junto à pia da cozinha, sem poder me defender. 

Ele... faixa preta em artes marciais (a força de um homem nunca é comparável à de uma mulher).

Quanto aos meus filhos (me perdoem por isso, não tem como não cita-los) foram alvo deste sofrimento, do qual aqui por respeito a eles, não irei detalhar os fatos.

“Mãe, se eu ver o pai te tratar assim novamente, vou dar um soco nele.” (deixarei apenas essa frase, que ao ouvi-la trouxe um grande impacto sobre minhas decisões naquele momento), sob essa frase percebi que precisava buscar ajuda. 


A violência sexual chegou aos 48 anos, quando ele me obrigou a ter relações sexuais, usando frase da Bíblia como justificativa: 

“Você é minha esposa e precisa obedecer.” 

Foi nesse momento que percebi: o medo que eu sentia do mundo exterior havia se materializado dentro da minha própria casa. 

 🧠 O Peso da Violência Psicológica 


A violência psicológica é silenciosa, mas destrutiva. 

  • Xingamentos 

  • Ameaças 

  • Humilhações 

Tudo tinha como objetivo me dominar e destruir minha autoestima. 

Cavalcante (2006) afirma que essa violência perpassa todas as outras formas — física, sexual, patrimonial ou social — deixando marcas profundas na alma. 


⚖️ Conhecendo Meus Direitos 


A Constituição Federal de 1988 protege os direitos básicos da pessoa humana: 


  • Inciso V: direito de resposta e indenização por danos morais, materiais e à imagem. 

  • Inciso X: inviolabilidade da intimidade, vida privada, honra e imagem. 

  • Inciso XLI: punição a qualquer discriminação atentatória aos direitos fundamentais. 

A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) garante medidas protetivas, responsabilizando o agressor independentemente da autorização da vítima. 


💔 Danos Morais e Psicologia do Abuso 


O dano moral da violência psicológica é real e profundo. O medo constante, a manipulação e a humilhação deixam cicatrizes invisíveis. 

O Código Civil (arts. 186 e 927) assegura que esse sofrimento deve ser reparado, reconhecendo o trauma e a perda da autoestima. 

 

O Caminho da Superação 


Busquei apoio jurídico, psicológico e emocional. Aprendi que o que vivi tinha nome: violência doméstica. 

Hoje, estudo, trabalho, cuido de mim e dos meus filhos. Descobri que a liberdade e a dignidade das mulheres não são opcionais — são direitos fundamentais. 


🌻Dar Voz ao Silêncio

 

Meu relato é sobre dor, mas também sobre resistência. A violência doméstica deixa marcas profundas, mas denunciar e conhecer seus direitos é um ato de libertação. 

A Constituição Federal, o Código Civil e a Lei Maria da Penha são ferramentas essenciais para garantir justiça, dignidade e reparação. 

Escrever minha história foi reviver, mas também libertar. Dar voz a quem ainda está em silêncio é transformar dor em resistência e esperança. 

 

🦋 Da Dor a Transformação


Dessa dor profunda nasceu o projeto Para Além do Silêncio da Mulher. Aprendi a lidar com minha própria dor, me redescobri, evoluí, estudei e desenvolvi técnicas e mecanismos que me permitiram superar anos de violência e repressão.

Atualmente atuo como psicanalista, sigo em frente com um propósito claro: dar voz ao silêncio feminino e mostrar que você, mulher, não está sozinha. Tracei um caminho que pode facilitar a sua jornada, ajudando a transformar sofrimento em força, reconstruir autoestima, resgatar dignidade e compreender a própria subjetividade feminina.


🥀As Mulheres em sofrimento... Ressignifique-se!


A psicanálise é, antes de tudo, um espaço de escuta profunda e sem julgamentos. Quando a mulher fala de sua dor, de suas marcas e silêncios, encontra a possibilidade de dar sentido ao que viveu, elaborar traumas e construir novos caminhos para si mesma.

Minha atuação como psicanalista se dá justamente nesse ponto: acolher a subjetividade de cada mulher, respeitando sua história, seus limites e suas singularidades. Através da escuta clínica, ajudo no processo de transformar a dor em palavra, o silêncio em voz, e a repressão em potência de vida.

A psicanálise não oferece respostas prontas, mas possibilita que a mulher descubra dentro de si a força para ressignificar suas experiências, reconstruir sua autoestima e recuperar a dignidade perdida pela violência. Assim, cada encontro é um passo na direção da liberdade psíquica, da autonomia emocional e da reconstrução de uma nova forma de existir.

O que antes me silenciava, hoje se tornou minha vocação: transformar dor em ação, esperança e liberdade, apoiando outras mulheres a superar suas experiências de violência, da ruptura à ressignificação, e reconstruir suas vidas com consciência, autonomia e autenticidade.


🦋“A mulher que sabe o que quer não precisa provar nada a ninguém.” — Sigmund Freud 🦋

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Por Rosângela Pereira 

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